
Estou cumprindo minhas horas de estágio em uma escola estadual, em uma das aulas uma aluna com o questionário do Saresp (Sistema de Avaliação de Rendimento Escolar do Estado de São Paulo) na mão estava conversando comigo, eu perguntei:
- O que é o Saresp?
- É um questionário pra eles saber o que nóis aprendeu!
A classe como sempre estava barulhenta demais, mas acho que foi mais ou menos isto que ela respondeu. Neste caso não importa muito a resposta, mas a forma, o jeito que ela usou com as palavras.
Mais uma vez pude notar que o jeito de falar na periferia de São Paulo, ainda mantém traços daquela São Paulo antiga, claro que hoje as pessoas tem mais acesso à educação, o índice de analfabetismo caiu a níveis baixíssimos, porém o nível das escolas também diminuiu, antigamente, bastava a quinta série primária para se ter um emprego, quem tinha o colegial então, estava com o futuro garantido, curso superior? Isto só para poucos privilegiados.
Hoje em dia a realidade é bem diferente, um curso superior é condição básica para se ter um emprego qualquer, mesmo assim a concorrência é pesada.
No caso da menina, do terceiro ano, claro que ela sabe falar o português corretamente, que é o mínimo que se espera de um aluno desta série. A questão é que isso é mais uma espécie de gíria da periferia, é a marca registrada de um jovem da periferia de São Paulo, é assim que o jovem fala, como se fosse uma forma de mostrar sua identidade. Isto era o que o Adoniran cantava, aliás, acho que já falei sobre isso, “mas não tem pobrema, afinal dispois que nóis vai, dispois que nóis vorta”.
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