domingo, 2 de novembro de 2008

Cidade Adoraniranizada (02/11/2008)

Muito já se falou sobre acabar com as favelas em são Paulo, COHAB, Cingapura, urbanização de favelas, entre outros. Apesar de todos estes “esforços” as favelas continuam crescendo, em alguns casos crescendo para o alto, as chamadas favelas verticais. O Fato é que ninguém quer saber das favelas, o executivo passa em frente a favela com seu carro importado, com ar condicionado e vidros fechados não sente o calor dessa verdadeira estufa que é São Paulo nem o odor do rio pinheiros, só o cheirinho de carro zero.Também tem a opção de ir de helicóptero. Quando chega na empresa, não tem jeito ali ele acaba convivendo com muitos dos favelados, Cohabeiros, cingapurenses, servindo-lhe o cafezinho, transportando-o de um andar ao outro, engraxando seu sapato e até mesmo cuidando de sua segurança.  Já o favelado abre sua janela, também não sente o odor do rio pinheiros, porque já faz parte do cotidiano, vê o trânsito da marginal, a poluição, se trabalha longe, acorda de madrugada e enfrenta as conduções lotadas levando sua marmita de “arroz com feijão e torresmo a milanesa” ou ovo frito, só quem utiliza o transporte público é que pode ter a idéia do que eu estou falando, é algo desumano.

As famosas malocas de São Paulo já a muito tempo foram substituídas pelas Favelas, mas elas continuam sendo derrubadas para dar lugar a “edifício arto“, condomínios de luxo ou prédios de empresas milionárias expulsam os moradores da favela para ocupar o terreno que é valorizado demais para os pobres morarem, “nóis arranja outro lugar”. Os que ainda resistem vão sendo espremidos nos poucos terrenos que ainda restam, altos muros vão cercando e isolando as favelas, não importa se estiverem lá, o importante é que ninguém as veja, pode até construir um Cingapura bem na frente da avenida, é alto e ajuda a esconder a favela.
O Adoniran antes de sua morte, já estava angustiado com o destino da cidade, dizia ele que já não conhecia mais o Brás e o Bixiga, tudo tinha mudado muito. Já pensou se visse no que esta cidade se transformou?
Tudo bem gente, “deixemo” de tristeza e “vamo” faze um pique-nique no rio tietê?

4 comentários:

  1. Oiii Paulo, bom com relação as favelas é um problema da ocupação desordenada e mal distribuída da renda e do espaço urbano, no entanto o x é como essa 'marginalização' da sociedade interfere na relação dos individuos no tempo e nas vivÊncias transforma a forma como percebem a si e ao outro, esconder ou camuflar não acho q seja a solução porém onde estão os 'eleitos' que nada fazem para dirimir estas questões?? ou será que tbém nos conformamos com essa visão moderna e utópica de civilidade? Beijos meu amigo querido. samantha p.

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  2. "Vamos alllmoçaar, sentado na calçaaada. Conversa sobre isso e aquiilo, coisa q nóis não enteede naaada. Depois puxaa uma paia, andar um poco pra fazeeê o kilo."
    O companheirismo sempre torna mais ameno o infortúnio.
    Abraços.

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  3. Obrigado pelo companherismo (Wilson e Samantha),
    companheiro que é companheiro, escreve no Blog do outro...
    Pra ilustrar o texto cito o trexo de Despejo na Favela:
    "Não tem nada não seu doutor vou sair daqui pra não ouvir o ronco do trator
    Pra mim não tem problema em qualquer canto me arrumo de qualquer jeito me ajeito
    Depois o que eu tenho é tão pouco minha mudança é tão pequena que cabe no bolso de trás
    Mas essa gente ai hein como é que faz?"

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  4. Como diria o Adoniran, "é difícil falar errado".
    Mas eu, completo: "escrever errado é fácil, fácil...."

    ERRATA: no meu comentário anterior as palavras companheirismo e trecho foram escritas de forma errada.

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