segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Cidade Adoniranizada

Depois de muitas pesquisas, conclui meu trabalho sobre Adoniran Barbosa.
O Trabalho foi assumindo uma característica interessante, sintetizado, inclusive pelo pouco tempo disponível para sua elaboração.
O resultado foi uma nota 10, por isso resolvi publicá-lo aqui no Blog. Quem tiver paciência poderá ler o curto capítulo da conclusão.
(A Formatação teve que ser totalmente alterada para se adequar ao Blog)

O Título do trabalho: "Adoniran Barbosa e a linguagem popular da periferia de São Paulo"


CONCLUSÃO


Sinto-me a vontade, após pesquisar e realizar este trabalho que a meu ver, está muito a quem da importância que o tema merece, mas como proposta de trabalho de conclusão de curso teve que ser seletivo e compacto, embora Adoniran Barbosa e a Cidade de São Paulo são temas aparentemente inesgotáveis. Este trabalho necessita notoriamente de uma continuidade para atender as pretensões iniciais.

As obras sobre o autor que tive que pesquisar para desenvolver o tema, muitas vezes mexeu com minhas emoções. Conforme fui percebendo o homem por traz do Artista, suas fraquezas, persistência, paciência, perseverança e sensibilidade.

Adoniran era sem dúvida uma pessoa que viveu as transformações da cidade. De origem pobre tendo que arrancar da vida o que ela não lhe deu, aprendeu a sobreviver em um ambiente farpado, uma “selva de pedra”. Conquistou a sabedoria dos mais experientes, mas não ficou livre das mágoas que o progresso, modismo e os interesses financeiros dos produtores lhe causaram quando tentaram “enterrá-lo vivo”.

Sabia esperar e conseguiu dar a volta por cima se reerguendo no meio artístico. Tardiamente reconhecido como compositor de importância, ainda teve tempo de gozar do prazer de ver seu trabalho registrado em um LP. No final, já não ligava mais para homenagens.

A importância do trabalho de Adoniran,vai além da pura diversão de seus programas de rádio, suas interpretações no cinema, entretenimento das telenovelas e de seus sambas considerado como melodias fáceis de cantar. Seu trabalho se confunde com a própria cidade.

A mesma cidade dinâmica que ajudou a criar o artista dando os elementos, os motivos, as inspirações e as oportunidades, também contribuiu para o seu declínio.

As transformações por qual a cidade passou, em nome do progresso, serviram como fonte de inspiração para o artista, que teve ao longo de sua vida que conviver com os mais diversos personagens e tipos, moradores da cidade, pessoas comuns, humildes, comerciantes e até mesmo o ministro da guerra quando trabalhou como garçom.

A cidade com suas transformações foram também levando aos poucos o mundo que Adoniram conheceu e aprendeu a admirar. Suas músicas e personagens têm um forte apelo de denuncia social, levando a público os despejos das favelas, atropelamento nas avenidas da cidade e as enchentes de uma forma mais emotiva e perpétua que as notícias dos jornais diários. Enquanto as notícias dos jornais são substituídas pelas outras do dia seguinte, a letra da música, através da melodia, fica na cabeça da população.

Ao narrar suas histórias do cotidiano tanto nas músicas como nos personagens, Adoniran procurava utilizar a própria forma de expressão que o personagem teria. Geralmente o suburbano de pouca instrução, filho de imigrante, crescido num ambiente de múltiplas culturas. Sua música falava a linguagem do povo.

Ao percorrer hoje a periferia de São Paulo, é possível notar a expressão dos jovens que insistem em construir uma linguagem atrevidamente diferente da oficial e mesmo os alunos que freqüentam as escolas, onde se aprende o português como disciplina constante do currículo escolar. Mantém-se uma linguagem fora dos muros ou das salas de aula específica como se fosse uma forma de identificação com a sua origem, bairrismo.

Uma resistência que remete a análise do início do século XX, onde a cidade crescia empurrando os moradores do centro para os bairros mais periféricos, onde se formavam os bairros específicos dos grupos específicos, como no caso da Bela Vista que tinha uma concentração maior de negros assim como na Casa verde. O Brás concentrando maior número de italianos e futuramente um reduto de migrantes nordestinos, Bom retiro com os Armênios, entre outros.

Até hoje ao percorrer as ruas da Mooca é possível notar o sotaque específico da região. Seriam como se fossem pequenas cidades, dentro da Cidade, com costumes locais, festas tradicionais e porque não uma linguagem própria.


BIBLIOGRAFIA

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Documentos eletrônicos

CASELLA, Cesar Augusto de Oliveira. LA DIVINA INSGUGLIAMBAÇÓ OU ‘COMO SE LÊ UM POEMA EM PORTUGUÊS MACARRÔNICO?’. Disponível em: Acesso em: 04/10/2009